Mais que uma roupa de baixo

A escritora e pesquisadora Rosemary Hawthorne vê nas calcinhas algo mais que a função de cobrir as partes íntimas. Em seu estudo, ela constatou que a história desse lingerie conta também a evolução das mulheres na sociedade

Mulher fica mais linda ainda de lingerie

Mulher fica mais linda ainda de lingerie



Com quase dois séculos de espaço garantido no guarda-roupa das mulheres, a calcinha tem muita história para contar. Mesmo gerando muita polêmica ao longo dos anos, essa peça feminina se tornou uma das mais indispensáveis no vestuário.

Não é à toa que, depois de tantas críticas, a calcinha hoje esteja nos seus dias de glória, ganhando até publicação, como a da pesquisadora inglesa Rosemary Hawthorne. Seu livro “Por baixo do pano – A história da calcinha” acaba de ser lançado no Brasil.

Conhecida como Knicker Lady (Dama das calcinhas) no Reino Unido, a escritora é um dos destaques britânicos quando se trata de história da roupa íntima que, para ela, está diretamente relacionada ao progresso da mulher ocidental.

Rosemary conta, na publicação, que “não existe outro item do vestuário que tenha sido alvo de reações tão díspares ao longo de toda sua história – de rostos corados de constrangimento até risadas abertas e cheias de malícia – ou que seja capaz de despertar associações tão ambíguas”.

Até o século XVIII, calções ou ceroulas eram peças exclusivamente masculinas. E ai das moças que ousassem vesti-las! No mínimo, eram consideradas libertinas e imorais. Toda a vestimenta tida como necessária para as mulheres se resumia a saia longa, uma ou duas anáguas, corpete e uma camisola de linho.

Trajetória

Contudo, a Revolução de 1790, na França, simplificou o vestuário europeu, fazendo com que as mulheres trajassem vestidos mais sensuais e de cintura alta. Esses eram confeccionados em musselina e, por serem bem ventilados na parte inferior, tonou-se necessário criar uma peça de baixo.

Eis que surge a calcinha, ou melhor, sua ancestral! E o que antes de 1800 nenhuma mulher respeitável se permitia usar foi “liberado” para as damas mais importantes e antenadas com a vanguarda da moda. Diferente das atuais, o primeiro modelo era chamado de calção ou “pantaloon”. O formato era bem simples: abaixo dos joelhos ou até os tornozelos.

Tabu

Apesar de ter nascido em terras francesas, foi na Inglaterra que a calcinha se consolidou. Durante o período vitoriano, entre 1837 a 1901, elas se tornaram um imprescindíveis às damas de alto poder aquisitivo, já que possuiam altos preços e boa qualidade. Mas ainda não era comum se ouvir falar sobre a peça, um dos tabus da época.

Em meados do século XIX, os calções femininos ganharam grande importância, já que a moda passou a exigir saias cada vez mais volumosas e sustentadas por sobreposições compostas de muitas anáguas. A partir desse estilo, os chamados “miolos coloridos” se transformaram em tendência. Com ela, cores fortes (como roxo e vermelho intenso) e padronagens de xadrez se destacaram entre as escolhas que garantiam elegância e sensualidade às combinações da época.

A escritora relata ainda que, em 1880, “a calçola escarlate chegou a ser celebrada nos palcos na canção batizada de The Red Flanned Drawers Grandmother Wore (As calçolas de flanela vermelha que minha avó usava)”.

As semelhanças com as atuais começaram a aparecer somente depois da Primeira Guerra Mundial, na década de 1920, que, com seus conflitos, também afetou a mentalidade feminina. Nesse contexto, surge a mulher moderna, que não esconde o corpo. Pelo contrário, passa até a mostrá-lo mais. Desde então, as calcinhas só vêm adquirindo o formato específico para cada cultura e se adequando a diversos estilos.

Contemporânea

Fio-dental, tanga, string, calcinha alta, calça, biquíni acompanhados por bordados, estampas, apliques e desenhos. A infinidade de modelos existentes hoje no mercado só reforça a idéia de que, depois de algumas décadas, essa peça representa muito mais que um simples pano por baixo da roupa. “Interesse humano, humor, sex appeal e sem-número de possibilidades fashion a explorar”, explica.

O sucesso é tanto que agrada todos os gêneros, tanto homens quanto mulheres, claro. O primeiro estimula o uso e até compra para presentear a amada. Ela, por sua vez, só aumenta a fatia feminina que faz questão de variar nos tamanhos, cores, cortes, tendências e aplicações. Algumas mulheres até fizeram disso sua mania. Caso de Nicole (nome fictício) que percebeu o valor da calcinha, tornando-a até uma necessidade antes de considerá-la um mero adorno.

CALCINHA
“Por baixo do pano – a história da calcinha”
R$21,90
236 páginas
2009
MATRIX

O livro mostra desde os primeiros modelos de calcinha até as atuais com ilustrações e contexto histórico.

Roupa íntima está sempre na moda

Quando vemos uma mulher bonita com um vestido de seda de festa sensual, que revela as suas curvas sem marcar nada logo pensamos: o que será que ela está usando por baixo?

Mesmo que a lingerie seja parte de uma moda na maioria das vezes invisível, nem por isso ela deixa de ser menos importante, e não deve ser subestimada, pois embaixo daquele vestido sedutor o que mantém a autoconfiança da mulher é um conjunto confortável, firme e bonito. As roupas intimas também tem seu espaço na indústria da moda que não para de crescer, existem conjuntos de lingeries apropriados para cada atividade e cada ocasião especial, que vão desde peças minúsculas e muito sensuais até outros com modelagem apropriado para a prática de esportes, para gestantes, para pessoas mais gordas, e também para dormir. A moda intima também varia de acordo com a idade do seu público, e assim como as roupas “de cima” as roupas “de baixo” tem modelagens e estampas infantis, juvenis, para adolescentes, a moda para mulheres adultas e também para mulheres mais velhas.

Assim como os demais segmentos da moda, acontecem ao redor do mundo eventos em que são apresentadas as tendências para as próximas estações em roupas intimas e as principais empresas do ramo fazem pesquisas e buscam as preferências e as tendências das próximas estações. Nesse contexto a marca que usa o fio Lycra® elaborou uma nova cartela com cores que destacam temas como a natureza, o romance, o escultural, o artístico entre outros. A marca desenvolveu para cada segmento uma cartela de cores diferentes que na próxima estação já estarão a disposição nas principais redes de lojas de lingeries do Brasil, e além das novas cores vem trazendo peças com um fio extra fino, desenvolvido com alta tecnologia da indústria têxtil e que possibilita uma aderência completa ao corpo da mulher linda, com o uso de um tecido mais sedoso. Para completar o visual moderno e confortável das peças a fita 2.0 substitui a costura em muitas peças.

Quanto aos modelos e cores, as coleções de lingerie que estiveram nas passarelas do Brasil e do mundo da moda tem muito branco, mas para quem gosta de cores fortes, elas também estão presentes. Tecidos cada vez mais desenvolvidos criam peças com um acabamento perfeito, peças com cetim, bordados, estampas lindas, florais e uma profusão de cores que conferem as lingeries um acabamento brilhante. As coleções são desenvolvidas com a preocupação de atender as necessidades dos consumidores assim ao lado e peças românticas e rebuscadas com rendas, babados e fitas, tem peças lisas e praticas, junto com outras sensuais com cores fortes, transparências e peças minúsculas, mas o que marca todas as coleções é a qualidade dos tecidos cada vez mais confortáveis e funcionais, que conferem uma sensação de frescor e liberdade.

Thiago Augusto

A história da lingerie feminina

A Recco contribui para deixar mais bonita a lingerie feminina

A Recco contribui para deixar mais bonita a lingerie feminina

Por CLAUDIA GARCIA

Várias peças e acessórios usados pelas mulheres compõem o que chamamos de lingerie, as conhecidas roupas de baixo. Formada por calcinhas, sutiãs, cintas-ligas, espartilhos e algumas outras peças, a lingerie desperta todo tipo de fantasias. Segundo Freud, a relação do erotismo com as roupas íntimas nada mais é do que o fetiche, ou feitiço. Isso acontece quando a satisfação pessoal se dá através de objetos ou ornamentos.

O cinema e as revistas também ajudaram a criar um clima de sedução e fantasia, despindo as musas de suas roupas e deixando-as apenas com suas roupas de baixo, cada vez mais bonitas e elaboradas.

A lingerie passou por uma série de transformações ao longo do tempo, acompanhando as mudanças culturais e as exigências de uma nova mulher que foi surgindo, principalmente durante o século 20. A evolução tecnológica possibilitou o surgimento de novos materiais, que tornou a lingerie mais confortável e durável, duas exigências da vida moderna.

Desde o tempo das vestes longas, usadas até pouco depois da Idade Média, passando pela ostentação dos séculos 17 e 18, quando era usado um verdadeiro arsenal de acessórios por baixo das grandes saias femininas, até o início do século 20, a mulher sofreu horrores em nome da beleza e da satisfação masculina.

Os espartilhos, usados por mais de quatro séculos, causava sérios problemas à saúde, além do desconforto e da obrigação de ostentar uma “cinturinha de vespa”. Os seios, foco da atenção por muito tempo, eram forçados para cima através dos cordões apertadíssimos dos espartilhos. Também as calcinhas, como são atualmente, passaram por drásticas mudanças. No século 19, eram usadas ceroulas, que iam até abaixo dos joelhos. O surgimento da lycra e do nylon permitiu uma série de inovações em sua confecção, que possibilitou até a criação de um modelo curioso nos anos 90: uma calcinha com bumbum falso, que contém um enchimento de espuma de nylon de vários tamanhos e modelagens.

Um acessório sensual muito usado na década de 20 foi a cinta-liga, criada para segurar as meias 7/8. Dançarinas do Charleston exibiam suas cintas-ligas por baixo das saias de franjas, enquanto se sacudiam ao som frenético das jazz-bands. Ainda nos anos 30, a cinta-liga era o único acessório disponível para prender as meias das mulheres, que só tiveram as meias-calças à sua disposição a partir da década de 40, com a invenção do náilon em 1935.

Espartilhos, meias de seda 7/8, ligas avulsas presas às cintas, continuaram sendo usados por muitas mulheres, mas não mais por uma imposição ou falta de opções, mas por uma questão de estilo ou fetiche, já que esses acessórios se tornaram símbolos de erotismo e sensualidade na sociedade ocidental.

A lingerie atravessou o século 20 sempre acompanhando a moda e as mudanças de comportamento. Quando a moda eram roupas justas e cinturas marcadas, lá estava o sutiã com armações de metal, cintas e corpetes para moldar o corpo feminino. Na década de 60, com a revolução sexual, o sutiã chegou até a ser queimado em praça pública, num ato pela liberdade feminina. Uma geração de mulheres afirmava, em 1980, não usar nada por baixo das camisetas ou de seus jeans, mas os tempos mudaram e a moda trouxe tantas novidades em cores, materiais e estilos, indo do esportivo todo em algodão, ao mais sofisticado modelo em rendas e fitas, que as mulheres chegaram a gastar mais em roupas de baixo do que em qualquer outro item de guarda-roupa ainda durante os anos 80.

A indústria de lingerie, que continua crescendo, aposta agora em alta tecnologia. É possível encontrar no mercado desde o espartilho no mais clássico modelo renascentista até o sutiã mais moderno, recheado de silicone, a última novidade.

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